No silêncio de um dia nublado, quase noite, ouço o eco da minha voz. Uma sequência de esperneios espalhados pelo eu desconhecido, tentando achar o eu perdido. Na harmonia com o frio cortante porém confortável na própria dor do corte. O mesmo que está profundo, causado por palavras jogadas ao vento. Passageiras a quem as lançou e marcante para o atingido, aleatoriamente cortante.
Ele busca respostas em seu mundo a perguntas jamais respondidas e que nunca serão. Pense na dor de uma dúvida, na frustração infinita pela necessidade do saber, mais que todos. Em troca de caminhos talvez, mais opções de escolhas, consequentemente mais confusão. Como terei que andar apenas por um em infinito, algum certo ou algum errado, não me preocupo pois a sorte sempre esteve presente, no fundo de uma caixa com artérias pulsando incontrolavelmente a todo vapor, decorada com sonhos e cores opacas, no meu mundo nublado.
Mal sabe ele que o eu desconhecido continua procurando o eu perdido, perdido no mar de perguntas impossíveis, talvez nem reais.
Marcos Gannam